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Foto da família em toalhas!

Tenha um jogo de toalhas totalmente personalizado com a foto da sua família!   Você pode mandar imprimir  uma foto da família recente e/ou de seus ancestrais. Pode ter uma toalha com a foto de cada um de casa. O que você quiser!  Enxugarte

12 razões para genealogizar

  1. Validar  histórias de família — determinar se as histórias de família sobre os seus ancestrais são verdadeiras.
  2. Compreender um fato da História  — obter melhor compreensão do envolvimento de um ancestral em um fato histórico.
  3. Explorar a contribuição das famílias à construção do País — pesquisar a resiliência das famílias que sobreviveram às vicissitudes de guerra, imigração, pobreza ou escravidão; estudar o sucesso na integração além das fronteiras raciais ou nacionais; investigar conquistas empreendedoras: comerciais, agrícolas, educacionais, industriais etc.
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Aviso Importante

Os editores deste website não fazem pesquisa genealógica para terceiros. Mas têm muito prazer em compartilhar o que aprenderam ao longo de suas pesquisas dentro e fora da Internet. Daí a razão deste site!



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O que é Genealogia?

Genealogia é o ramo da História que se dedica ao estudo das famílias, à sua origem, dinâmica e evolução, descrevendo a sucessão de gerações, em sentido ascendente ou descendente. Sempre que possível, o estudo traça os dados vitais e  as biografias dos seus membros. Portanto, Genealogia estuda a história das famílias.

Embora seja ciência auxiliar da História,  sua importância reside na descrição de indivíduos, independentemente de suas relevâncias.  Isso porque todos esses indivíduos construíram suas vidas inseridos na sociedade a que pertenciam e vivenciando a mentalidade de suas épocas.   


O que não é Genealogia............

Genealogia, enquanto estudo social,  não é investigação genética, não é ensaio de proselitismo religioso, não é descrição de mitos e não é foco
de arbitragem moral. É História das Famílias... 

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Dicas de Ocasião

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Cuidado com lendas  que  
podem levar a um beco

por Maria Fernanda Guimarães

A maioria das famílias possui histórias, causos e lembranças que são transmitidas de geração em geração. Essas tradições familiares podem fornecer muitas pistas para continuar a sua pesquisa genealógica, mas é preciso abordá-las com uma mente aberta. Só porque o seu bisavô dizia tal ou qual fato aconteceu, isso não é verdade absoluta.

Para ser bem sucedido na busca de seus antepassados, é melhor você olhar para essas estórias de família com o olhar frio de um repórter investigativo. Lendas podem ajudar a você a descobrir um fato de verdade ou podem levá-lo a um “fim de linha”, que é como os genealogistas de língua portuguesa chamam aquele ancestral do qual não se consegue saber mais nada. Muito cuidado! Isso porque nós, historiadores da família, temos o costume de nos apegarmos a essas histórias como crianças a seus brinquedos favoritos.

É pista, pode ser verdade... ou não!

Histórias sobre antepassados famosos, heróis de guerra, alteração do sobrenome da família toda, provavelmente, têm suas raízes na verdade. Seu trabalho como genealogista é justamente separar os fatos da ficção. Isso porque muitas das narrativas podem ter sido acrescidas de enfeites  românticos ao longo do tempo.

Além disso, não se sabe por que, existem alguns mitos que se repetem de família em família. Os mitos genealógicos possuem um arraigamento quase geográfico. Alguns  são persistentes em países de língua portuguesa, outros em língua hispânica e uns terceiros entre os de língua inglesa.  Verdade que nos países da América e da  Oceania há mais mitos que na Europa, o que é claramente explicável pela grande presença de imigrantes que desejavam de alguma maneira dar um polimento em seus nomes de família. 

Pesquisadores de genealogia há quase quarenta anos, nós de Brava Gente Brasileira, destacamos os seis mitos que são mais comuns no Brasil.

  • Sobrenome de árvore, de lugares, ofícios e ferramentas é família de judeus   
  • A ancestral  índia pega a laço  
  • O imigrante clandestino em navio   
  • A ancestral nobre que fugiu com o cavalariço  
  • O ancestral adotado,  ou bastardo, ou 'filho de padre', que impede a continuidade da pesquisa  
  • Minha família tem brasão 

Estamos destrinchando aqui  uma por uma dessas lendas.


Como recomendação final, fica o aviso. Aproxime-se sim das lendas, causos e tradições familiares. Mas faça-o com aa mente aberta e investigue cuidadosamente os fatos por si mesmos. Consulte listas, a internet, museus, cartórios, o Family Search, etc.

Se você é incapaz de provar ou refutar a lenda da família, ainda é possível incluí-la numa história familiar. Todavia, lembre-se de registrar (por escrito mesmo) o que é verdade apurada e o que é tradição; e que está provado e o que é não comprovado — e anote como você chegou a suas conclusões.



Pereira, Machado, Ferreira. Tudo judeu!  Conheça a fundo esse mito.  

Minha trisavó foi uma índia

filha de cacique pega a laço!

De uma vez por todas: nem todo mundo que tem sobrenome de árvore, ferramenta, ofício ou profissão,   lugar e características físicas descende de cristãos-novos, ou seja, de judeus convertidos a força pela Inquisição. Isso é mito!  

Durante séculos, os arquivos inquisitoriais ficaram trancados a sete chaves.  Isso favoreceu a criação de lendas e mitos em torno de sobrenomes judeus e mouros, estes em menor proporção. 

A verdade é que não existe em Língua Portuguesa um "sobrenome judeu"... seria bem mais fácil a vida dos pesquisadores e historiadores e se houvesse.  Os sobrenomes ibéricos são compatilhados por famílias de diversas origens. 

Fizemos um apanhado de artigos sobre o tema de autoria de  dois mais sérios pesquisadores da história dos judeus em Portugal e no Brasil: a Profª Dra. Anita Novinsky e o Prof. Me. Paulo Vallarades. 

Leia-os, consulte-os. Certamente você terá uma visão muito clara sobre o assunto. 

Está tudo aqui. Leia. 

"Minha trisavó (ou tetravó ou bisavó, não importa) era uma índia selvagem. Meu trisavô (ou tetravô ou bisavô, ou seja, seu marido) vivia muito sozinho". Ou era viúvo, ou tinha vindo da Europa sem esposa... qualquer uma das variações. Que o ele a pegou 'a laço' no mato é líquido e certo na lenda familiar.  

Essa estória, com algumas variações românticas, históricas ou toques sensuais ou  sexuais é ouvida em muitas famílias de Norte a Sul e de Leste a Oeste do Brasil.  

Você precisa tomar cuidado com essa história. É verdade que muitas índias foram realmente pegas a laço. Mas muitas delas, já "catechisadas" casaram-se com homens brancos, negros, índios ou mestiços. 

A historiadora brasileira Elaine Pereira Rocha  destaca que "nos dias de hoje, a referência à captura de mulheres e crianças indígenas pelo interior do Brasil persiste nas narrativas e memórias populares, que trazem como  elemento comum a expressão 'minha avó foi caçada a laço', sugerindo a submissão   sexual de uma ancestral indígena, pelo elemento 'branco' considerado superior. Tais narrativas, não primam por exprimir qualquer reprovação pelo feito do 'caçador'. De  fato, o que se 'louva' é a ferocidade e bravura da mulher que teve de ser  'caçada'."

Portanto, cuidado na hora de registrar uma ancestral desconhecida apenas como "índia pega a laço".  (E mesmo 'pega a laço'  teria um nome,  certo?)   Caso na sua família ocorra uma lenda assim, pesquise muito bem. Certamente você vai encontrar até a certidão de casamento da sua ancestral.  

E vai colocar em dúvida o mito da "bugra pega a laço"... 

Tenho um ancestral misterioso 
que veio clandestino num navio 

Minha bisavó era nobre mas  
'perdeu-se' com o cavalariço 

Por alguma razão ainda desconhecida,   é muito mais romântico ter um ancestral que veio para o Brasil  como um clandestino  ao invés de embarcar como um emigrante comum,  com a passagem paga pela Sociedade Promotora de Imigração  ou por um grupo de fazendeiros necessitados de substituir a mão-de-obra escrava pela assalariada.  

Também não se sabe porque sempre um deles é menor de idade: um adulto acompanhado de irmão, sobrinho ou primo criança ou adolescente. 

Muitas pessoas que assumem a lenda dizem que "é verdade mesmo" porque não acham registros de seus avoengos  nos centros, museus e memoriais de imigração e no Arquivo Nacional.  Então, corroborando o que avô dizia, é  porque seu ancestral "veio clandestino num navio".    

Embora  existam casos de pessoas que realmente tentaram se  esgueirar  a bordo de navios, esta não era uma prática comum. 

Os serviços de Polícia Marítima vistoriavam todos os navios nos portos de saída e listavam os de partida. Os  passageiros também eram listados pelas companhias de navegação.  E todos os passageiros eram listados na entrada no Brasil. 

É raro, muito raro, um caso de clandestino. 

Caso um passageiro clandestino fosse descoberto em rota, normalmente, ele seria  registrado na última página da lista de chegada de passageiros.  E seria obrigado a assumir um serviço de grumete: molhar o convés, descascar legumes ou ajudar na fornalha. E, neste caso, ele constaria  na lista de tripulantes. Não custa verificar essas listas se ele não é encontrado como imigrante. 

Empregamos o pronome "ele", deliberamente, porque você nunca  ouviu a história de uma trisavó clandestina em navios. São sempre homens ou meninos ou rapazes.

Outra razão de não se encontrar o passageiro é porque o sobrenome foi grafado foneticamente, ou aportuguesado ou ainda houve troca de letras. Durante anos procuramos um  Giuseppe Nutti, no Museu da Imigração em São Paulo.   Só quando uma neta dele faleceu e o cartorário perguntou: 'Mutti ou Nutti?' — então, luziu a centelha. Realmente está lá no Museu  da Imigração o Giuseppe Nutti,   na lista do vapor Attivita  e Giuseppe Mutti, com um "M" muito estranho,  no registro de entrada na Hospedaria dos Imigrantes! 

Adote, portanto,  muita cautela e uma dose de ceticismo sempre que você ouvir uma lenda familiar sobre um imigrante clandestino. Todas as famílias parecem  ter essa lenda —  não só no Brasil, mas também nos Estados Unidos, no Canadá e em toda a América Latina. E ela é quase sempre apenas isso: uma lenda.

Como na estória da índia pega a laço, pode ser a bisavô ou a tetravó, mas é sempre uma mulher de nobre estirpe (condessa ou baronesa)  que se apaixona pelo cavalariço.  Se não for  nobre, o que é raro, trata-se de  jovem de família bem abastada. 
Renegada pela família, a jovem abre mão do título e da fortuna (quando não é deserdada), e emigra para o Brasil com seu amado cavalariço... 


Porque o mito trata invariavelmente de um cavalariço e não de um outro serviçal,  não sabíamos. Até que o zootecnista especializado em Manejo Equino, Raul Sampaio de Almeida Prado, trouxe uma explicação.  "O cavalariço é o mais importante serviçal de uma casa nobre. Era o empregado não só responsável pela doma, mas também por terinar, criar e aprimorar os cavalos de uma propriedade." 

Mestre em Genética e Melhoramento Animal pela Unesp e hoje coordenador de cursos de pós-graduação e de diversas  associações de equinos, Raul lembra que "o cavalo, desde tempos imemoriais, traz  um traço de aventura a coragem ao  cavaleiro.   Quem está a cavalo está no alto, mais perto dos céus e mais perto de Deus... Portanto, ao se romantizar uma história, nada mais lírico e aventuresco do que unir uma nobre a um cavalariço", pondera.

Perda Total 

Detalhe curioso,  também, nestes mitos, que  a avoenga não só "perdeu-se" por paixão ao cavalariço como também "perdeu" o título e a herança a que teria direito. 

A perda da herança é também história implausível. Nos países com sistema de direito codificado (Portugal, Espanha, França, Alemanha, Itália, Áustria, Suíça, aliás de onde provém a maior parte de nossos imigrantes) a figura da deserdação é muito bem definida.  Em especial depois do ´seculo XIX, que é quando se passa a maior parte dessas lendas. Raramente se podia deserdar um filho ou filha, a não ser em caso de tentativa ou mesmo homício do pai e da mãe, em caso de negligência para os os pais ou de alta infringência moral.  E quem igualaria  uma escapadela com um criado como prostituição, contrabando ou lesa-pátria?    

Mesmo que em Portugal e espanha vigorasse o sistema de morgadio, o que o primogênito herdava sozinho eram o sobrenome e os domínios... não todos os bens! 

"Mas vovó sempre dizia ..."   Cuidado com as histórias! Sempre é bom documentar e guardar as suas histórias de família.  Mas nunca assumir que elas são a verdade absoluta.   Você pode mesmo descender de uma nobre com um cavalariço. Não é impossível. Mas é bom documentar muito bem essa genealogia. 


Meu sobrenome é tão importante
que minha família tem brasão 

 

Um dos mitos mais difundidos é a crença de todos os sobrenomes podem estar associados  a um escudo de armas ou brasão.   Isso não é verdade, mas é uma meia-verdaede.  A crença absoluta neste fato  é explorada  por empresas para vender criações artísticas com o "escudo do nome" quando, na verdade , um brasão pertence a uma pessoa específica da nobreza (no caso de Portugal e Brasil) ou a uma linhagem (em outros países). 

Na imensa maioria dos casos, um sobrenome pode ter mais de um brasão de armas, porque há  várias pessoas (ou ao menos mais de uma) com esse sobrenome que foram agraciadas com o título  ou porque existe mais de uma linhagem.    

Em Portugal  — e por consequencia no Brasil colonial e depois no Imperial —  e na  e na maioria dos países da Europa, os títulos nobiliárquicos não eram hereditários e  os candidatos não podiam apresentar em sua árvore genealógica nenhum dos seguintes fatos impediditivos:

  • crime de lesa majestade
  • ofício mecânico 
  • "sangue infecto",  ou seja mouro, cigano ou judeu 

O 'sangue infecto', porém,  não impediu que diversas famílias ibéricas ou brasileiras assumissem seu título de nobreza.  Era a grande flexibilidade sincrética dos interesses da Coroa que determinavam se o fato era mesmo tão impeditivo assim...  


Aplicando hoje essa  mesma lógica de flexibidade:   se nas  normas clássicas da Heráldica Europeia, um brasão só  poderia  ser ostentado pelo herdeiro direto, o que impede um plebeu de "ofício mecânico" querer ostentar seu brasão?  Além disso, sendo  republicano desde 1889, o Brasil não tem nenhuma  regra de heráldica para sobrenomes.  Valem os brasões antigos, como se você quiser, pode inventar um brasão para a sua família...  Existem aplicativos gratuitos  para isso!  Como este aqui, à esquerda... 


Esses dois fatos — um histórico e outro jurídico —  autorizam  as pessoas  que assim quiserem, no Brasil,  terem em casa um escudo de armas com as história da origem do sobrenome.  Ou ainda utilizar o brasão da região de onde a familia  se originou.  Mas isso não garante que o ancestral seja mesmo nobre. Talvez até seja! Ou não...